sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Caxias do Sul - RS

Que grande dia!
Show com Yamandu Costa e Renato Borguetti tocando juntos. Apenas os dois no palco.
O tio Preto organizou um grande evento cultural chamado "Comícios de Espíritos" com um grupo tradicionalista gaúcho "Os Angueras". Na apresentação foram convidados o Yamandu Costa e Renato Borguetti para fazerem 2 solos e 3 músicas juntos. O espetáculo foi muito bom. Podia-se perceber a interação que não se explica entre o tocador e seu instrumento. Algo que os liga, e apenas quem tem algum tipo de relação com a música entende o que eu digo.
"Como pode isto acontecer, é apenas um instrumento que emite um som?" Claro que eu não procuro esta resposta, mas posso dizer que quando toco e fecho os olhos, parece que me transfiro a outro "momento". Não considero isso uma fuga, mas acho que esse poder de alterar o "momento" é extraordinário. Quanto ao "momento" considero ser a parte da vida formada por um espaço de tempo qualquer.
Claro que não é sempre que ao tocar meu violão isso acontece, existem dias que apenas não acontece.

Fora minhas viagens.

Se apenas fosse o show eu já estaria satisfeito. Mas, como o tio Preto estava organizando o evento, tivemos acesso ao camarim. Conhecemos os músicos, tiramos fotos, todas aquelas regras de quem tem a oportunidade de conhecer as pessoas as quais possui grande respeito em função daquilo que fazem.

Melhor ainda.

Não terminou a noite. Fomos a um bar no centro de Caxias. Estavam o violeiro e o gaiteiro lá. Tomando cerveja e tocando violão. Cheguei muito tímido, com a sensação de estar invadindo a intimidade daquelas pessoas. Contudo, ao entrar no recinto, me deparo com uma bela musica tocada por um dos integrantes dos Angueras. Aquela sensação passara.
Pois bem. Até o gaiteiro, resolveu tocar violão. Mas então, o violão foi atraído pelas mão do violeiro, que ao dedilhar sobre as cordas começa a tocar uma música bela. Não espávamos que o violeiro fosse tocar como no show, com todos os acordes complicadíssimos e brincando com o tempo da música. Estávamos em um ambiente em que não era um show. Não se pagava pra entrar. Não se dependia daquilo para viver.
Uma música que toca os que estão alí. Outro tipo de relação. Agora entre todos, o silêncio acontece, o "momento" é alterado por todos.
Após a música, mais silêncio e um inicio de aplausos. Assume outro tocador, tradicionalista gaúcho, pilchado, também toca músicas que nos emocionam. Com uma voz firme e sonora, típica dos pampas gaúchos.
Durante todo este tempo, observo a relação das pessoas, o respeito recíproco, a forma de lidar com o outro. Considero este dia um grande momento que pude vivenciar o respeito, a amizade, o companheirismo.
Obrigado tio Preto por adicionar este dia a minha vida. De coração agradeço.

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